As vezes nos perguntam o motivo do porque lemos. Nunca tinha parado para pensar nisso, porque esta e uma atividade de que sempre gostei. Embora nunca tenha uma leitora voraz – porque conheci leitores vorazes e sei a quantidade de livros que costumam ler ou ja leram. Ler sempre me interessou, mas ao mesmo tempo nutri uma preguica homerica quando alguma leitura nao estava me instigando ou estava massante por algum motivo.
Ha algum tempo notei que na maioria das vezes o problema nao esta no texto e sim no leitor, aquele ser muitas vezes preconceituoso que so de ver um nome de autor ja julga e condena no melhor estilo nao li e nao gostei.
La pela minha adolescencia exercitei bastante a profissao de juiza do mundo e da literatura. Aquela que nao lia e nao gostava porque era chato. O alvo preferido: Machado de Assis, este era o reu preferido. Ate que um dia li Dom Casmurro obrigada pelas tarefas escolares e por uma professora de Lingua Portuguesa por quem nunca tive simpatia e que sempre dizia um dia voces vao se lembrar e agradecer a gorda chata por ter obrigado voces a lerem esses livros.
O resultado e que li e achei chato, como era previsto. Para meu pesadelo, eu leria Dom Casmurro por mais duas vezes em anos quase consecutivos e na terceira vez comecei a fazer amizade com o livro ja que nao havia alternativa tive de fazer daquele limao chamado Dom Casmurro uma bela limonada com direito a acucar, gelo e raminhos de hortela.
Anos depois e muitos outros livros lidos, sem nenhum Machado de Assis incluso, por vontade propria, resolvi desbravar esse mundo machadiano tao elogiado por professores, escritores e reconhecido ate fora do Brasil com o livro marco do realismo brasileiro Memorias Postumas de Bras Cubas que estava comigo por algum motivo emprestado de uma amiga. Abri, li uma pagina, duas, dez…outras atividades atravessaram meu caminho e a leitura nao engrenou.
Dizem que um trem ou bonde – sei la como e o ditado- nao para duas vezes na mesma estacao- a sorte e que na escolha de nossas leituras isso nao passa de balela. Investi novamente na empreitada de ler Machado, o mesmo Memorias Postumas de Bras Cubas e dessa vez nao so a leitura engrenou como me deliciei com as ironias e a finesse do humor do autor condenado por mime m outros muitos momentos.
Nao me refiro aos outros titulos dele que tive de ler por obrigacao –alguns ate simpatizei- e sim, do unico que li porque escolhi.
Os livros de Machado nao foram os unicos que comecei a ler e parei sem antes chegar a metade da historia, mas foi o escritor que me mostrou que muitas vezes nao estamos no momentos certo para ler certos livros. Porque provavelmente nao teremos o privilegio de entender e nos deliciar com a beleza, sarcasmo, ironia, humor de uma determinada historia.
Ja larguei O retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, A paixao Segundo GH de Clarisse Lispector,Confesso que vivi de Pablo Neruda e O evangelho Segundo Jesus Cristo de Jose Saramago antes de chegar a metade- so para citar. Os dois primeiros consegui concluir numa segunda chance, os outros ainda nao fiz outra tentativa.
No fim das contas a leitura assim como uma boa conversa pode nos fazer pensar melhor sobre uma infinidade de assuntos, nos transportar para mundos nunca antes explorados ou imaginados por nos com a vantagem de nao corrermos o risco de trocarmos ofensas ou socos com o interlocutor.
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