outubro 23, 2009

Salgadinho? Ainda não

Por onde quer que se anda com uma criança não falta quem ofereça uma guloseima. Toda vez que vou a padaria com meu filho de um ano e meio vejo a mesma cena: a moca do caixa sempre quer consquista- lo com uma bala. E para decepção geral ele nunca aceita.
Na casa de amigo quando bolo faz parte do menu alguém sempre pergunta se ele não quer. Certa vez, na praia pedi uma porção de polenta frita e a mae de um amigo perguntou: você não vai dar para ele? 
O ápice dessas situações aconteceu ha pouco tempo. Entrei em uma bomboniere para comprar água e o senhor que me atendeu estava experimentando um novo sabor de salgadinho, educadamente, me ofereceu, aceitei. Mas como sempre a pergunta que não cala, em lugar nenhum e já estava demorando para ser feita, surgiu: e para ele?
Eu também, educadamente, respondi que meu filho ainda não comia salgadinho. Notei uma certa decepção estampada no rosto do senhor, me desculpei, mas mantive minha palavra apesar do clima ter ficado incomodo. Uma senhora que também trabalha no lugar assistiu toda a cena e puxou assunto querendo saber se eu não dava nenhum tipo de besteira para o bebe comer, qual a idade dele e se ele não pedia ou sentia vontade. Conversamos amistosamente e disse que preferia manter as guloseimas longe dele por enquanto  e que ele ainda tera todo o tempo do mundo para conhecer todo tipo de comida.
Eu, confesso, sou xiita. Não concordo em ensinar as crianças a comerem porcaria desde cedo. Afinal, gostar de porcaria e tao fácil, não requer esforço basta experimentar e pronto, esta feita a magica do paladar que normalmente aceita melhor o doce e a gordura -sempre ela - principalmente se o paladar em questão for o infantil.
Não que eu queira criar uma criança como a da propaganda que implora por brócolis e acaba se contentando com uma chicória e ainda prefere os alimentos por causa das vitaminas. Mas também não quero uma  que tome refrigerante no café da manha e coma biscoito recheado e chocolate no almoço.
Descobrir a graça naquilo que aparentemente não tem graça e sempre mais difícil, então que essa descoberta aconteça no momento mais receptivo da vida. Melhor assim do que encarar certos alimentos como obrigação, castigo ou pior, por indicação medica para curar anemia, falta de vitaminas ou qualquer outra coisa desagradável.
Nada pessoal contra ninguém, sei que vão continuar a oferecer bala, chocolate, batata frita e não sei por qual motivo essas coisas estão associadas as crianças, no futuro  meu filho vai acabar gostando de tudo isso, mas que seja na hora certa.



Um comentário:

  1. Oiee...

    Gostei muito deste post. Lembrou um pouco minha infância. Você sabe que sua amiga teve uma mãe muito diferente...
    Mas acredito que valeu a pena toda "maluquice".

    bjs no coração,
    Lê.

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