dezembro 17, 2010

Saindo de baixo da cama: a aventura da mulher que passou a vida com medo de dar errado

Sempre gostei de fazer coisas em grupo. Meus trabalhos da escola e faculdade sempre foram em conjunto - a não ser aquelas resenhas ou dissertações que obrigatoriamente são feitas individualmente - as pequenas festas que fiz sempre tinha mais alguém dando um suporte, toda vez que tinha uma idéia interessante na hora de executar contava com alguém porque sempre acho que duas cabeças pensam mais e melhor, quatro mãos trabalham em maior velocidade e geralmente quando um desanima o outro cuida para que a peteca não se esborrache no chão.
Não, não sou de jogar nada no colo dos outros para que resolvam perrengues que não estou disposta. Sempre me envolvi, chamo a responsabilidade para mim e me sinto a MAIOR quando consigo fazer parte da resolução. 
Mas como dois e dois podem ser cinco e uma divisão por zero é possível quando a operação em questão envolve seres humanos qualquer sentença se torna verdadeira e possível.
A  coisa de que sempre gostei e tentei fazer é uma atividade solitária por excelência e quanto menor os pudores, os limites, os escrúpulos e o julgamento melhor. Eu escrevo e paro, cronicamente, há muitos anos. Desde criança tinha a ambição de formar palavras mesmo sem ser alfabetizada completamente. Escrevia todas as letras juntas num desejo louco de que alguma palavra brotasse naquele emaranhado de letras. Quando aprendi finalmente a ler e a escrever me senti fazendo parte do mundo de verdade. Fazia redações ingênuas e cheias de clichês que ouvia na televisão desde as propagandas de campanhas "sociais" até o que via em desenhos e os malditos seriados japoneses que dominavam a  programação infantil no fim dos anos 80 começo dos 90, isso tudo do alto dos meus 8 ou 9 anos de idade. 
Depois, já adulta ou tentando ser uma, tive muitos blogs e nunca permaneci com nenhum, sempre na esperança de fazer algo sensacional que superasse as minhas expectativas e a de todos os que se aventurassem a ler - um similar adulto para a minha expectativa infantil de formar palavras sem saber escrever.
Será que nada pode ser estimulante se feito de forma solitária, caramba?
Sempre olhei alguns amigos em suas vidas e percebia que eles sofriam porque estavam esperando ou procurando pelo sensacional e agora noto que não eram só eles... Finalmente, percebi que me sabotei por também querer produzir algo espetacular e não conseguir, achar que tudo deveria ser feito em equipe porque, claro, alguém pode ter uma idéia muito melhor que a minha - as minhas nunca bastam....- e por não me arriscar - por que o meu juiz interno é grande, é feio, é castrador....ele me ridiculariza a cada luzinha que se acende na minha cabeça, sempre mostra os riscos de dar errado e das pedradas que posso levar ...e eu acabo me escondendo em baixo da cama com medo e ao mesmo tempo sufocada pelo desejo de voar .
Se um dia eu perdesse a cabeça e deixasse vir a tona toda brutalidade que há em mim e cometesse um homicídio, a vítima seria o filho da puta do meu juiz interno.
Não sei se este será mais um texto que vou esconder, não sei ainda se vou divulgar para alguns amigos ou para vários sob o risco de ninguém ler - olha o risco de novo- ou se vou escrever dois ou três textos/crônicas e vou largar perdido no mundo virtual de novo. Mas vou tentar mais uma vez fazer alguma coisa que eu ame, sozinha, sem reservas e sem julgamentos.


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